Você já pensou na idéia de um museu em movimento? Foi o que aconteceu com a Tate Modern em Londres no segundo final de semana de Maio de 2015 (dias 15 e 16/05).
Tate Modern, Londres – Maio de 2015
Por Cristine de Paula
FachadaUma idéia inovadora que explorou vários conceitos e ousou em vários sentidos. “If Tate Modern was Musee de la dance?” foi uma exposição que quebrou muitos paradigmas e permitiu ao visitante explorar a dança de uma maneira nova e MUITO interativa. Ela foi idealizada pelo Bailarino e coreógrafo Francês Boris Charmatz que lancou um “Manifesto para um museu dançante” com eventos em vários lugares do mundo.
O poder das artes
Na prática, quem esteve na Tate no último final de semana teve o privilégio de presenciar (de graça, vale salientar) o poder que a música, a dança e as artes têm de unir, de colocar por terra a sisudez das pessoas, de tornar o ambiente feliz e integrado, de mudar a atmosfera!
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Mudanças na Dança
As três coisas que me chamaram mais a atenção foram:
1 – A mistura de diferentes formas de arte – bailarinos dançando nas galerias de exibição entre quadros e esculturas, música espalhada pelo museu, dança sendo mostrada em novos espaços;
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2 – A eliminação da barreira geográfica – visitantes de todas as partes do mundo puderam assistir pois no sábado dia 16/05 havia câmeras pelas quais foi possível acompanhar online toda a movimentação em uma das partes da galeria;
3 – Democratização da dança – assisti a uma remontagem de um famoso balé de Merce Cunningham montada com a mistura de ex-profissionas e bailarinos amadores, de todas as idades e formas físicas que você pode imaginar – muito diferente dos corpos jovens e sarados com os quais nos acostumamos ver em espetáculos de dança. Mostrando claramente que a arte está dentro de cada um e sendo transmitida – o corpo e os movimentos são o meio pelo qual isso acontece.
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E o que há de diferente nisso?
Para compartilhar em mais detalhe e explorar o que têm de especial nesses três itens que citei acima, me permita dividir um pouco mais da minha visão sobre essa iniciativa:
1 – Seres humanos estão têm cada vez mais uma multiplicidade de interesses –  nossos cérebros estão absorvendo cada vez mais informação ao mesmo tempo – essa exposição acompanha a idéia pois permite que interajamos com diversas formas de arte simultaneamente;
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2 – Utilização inteligente da tecnologia para compartilhar o conhecimento e a experiência – estar lá em pessoa foi fantástico e adoraria ter ido ambos os dias, como no sábado ja tinha outro compromisso fiquei conectada e mostrei a todos da minha casa, pessoas no Brasil, no Japão ou até astronautas no espaço poderiam ter acompanhado ao vivo (os vídeos estarão disponíveis nesse link);
3 – Democracia! O que assisti não foram amadores ou gente que dança nas horas vagas, cada pessoa ali estava dando o seu melhor, sendo bailarinos no amplo sentido da palavra, mostrando que eram capazes de interpretar a música, fazer belos movimentos e transmitir para a platéia a emoção desse balé. Cada corpo é especial, uma obra de arte, cada movimento que fazemos, por mais simples exige tantos sistemas funcionando em sincronia, a emoção não é exclusividade de poucos.
Por que não deixar tudo como está?
Acredito que existem vários outros pontos que podem ser percebidos, cada um que presencia um evento como esses vai ter suas próprias interpretações, e mesmo eu, tive várias idéias vendo ao vivo e depois assistindo online. Há momentos em que nos perguntamos o porquê das coisas ou qual a necessidade de mudar ou inovar quando se trata de artes.
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Interatividade e Evolução
Ficou explícita a todos a idéia de presenciar um museu vivo, um museu em movimento, de ver a dança em ebulição e em evolução. A mistura na minha opinião deu muito certo e eu sinceramente espero que haja mais iniciativas como essas.
Houve incentivo para que o público participasse e eu e minha mãe caímos na dança. Uma menininha de cerca de 6 anos de idade dançou por horas a fio, perto de onde eu também estava dando meus passinhos, junto com uma das bailarinas que acabara de se apresentar e que também ainda estava lá curtindo, todos sorrindo, todos em movimento, todos conectados pela arte!
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Para mim foi o exemplo perfeito do poder que as artes têm.