Que privilégio poder estar presente nessa sessão de perguntas e respostas com Sebastião Salgado e seu filho Juliano Salgado após a exibição do filme: “O Sal da Terra”. “The Salt of the Earth” – nome original em inglês – é um documentário sobre a vida e o trabalho de Sebastião, dirigido pelo seu filho Juliano e o Diretor Win Wenders (o último, diretor do premiado “Buena Vista Social Club”). “O Sal da Terra” foi indicado ao Oscar de melhor documentário em fevereiro de 2015.

Por Cristine de Paula

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Conforme prometido através do meu tuíte de ontem à noite (no @culturalbussola – segue lá pra saber em primeira mão o que vai rolar aqui) eu disse que quem não conhecia Sebastião Salgado iria conhecer. Vou tentar ser breve. Minha principal dica nesse post é certamente recomendar que vocês assistam o filme.

Sebastião é brasileiro de Minas Gerais, tem 71 anos e desses, 40 dedicados à fotografia. Ele já viajou para mais de 100 países, presenciou e fotografou o que há de mais belo e de mais feio no nosso planeta e na raça humana. Recebeu muitos prêmios, teve suas fotos exibidas em algumas das mais importantes galerias de arte do mundo, tem múltiplos livros publicados e é frequentemente descrito (novamente foi ontem à noite pelo jornalista do The Guardian que o entrevistou) como o maior fotógrafo da nossa era. Ele é embaixador da UNICEF desde 2001.

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Diferente de outros fotógrafos, Sebastião se dedica por anos a fio a cada um de seus trabalhos. Após largar uma carreira internacional como economista (que foi sua formação) e trabalhar por alguns anos em Agências de fotografia, onde inclusive documentou o atentado a tiros ao então presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan (1981), ele decidiu seguir carreira solo. Financiou do próprio bolso na sua primeira jornada, um projeto onde escolheu viajar para a África.

 

Era a primeira de tantas longas viagens em que Sebastião vive a realidade do local e das pessoas que está fotografando, conversa com as pessoas, sofre junto com elas (ele comentou que inúmeras vezes parou com sua câmera e chorou – muitas das vezes por estar atestando a maldade e o ódio humanos em suas piores formas – e comentou o choque ao ver de perto como o ódio é contagioso).

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Um fotógrafo que é capaz de fazer uma imagem estática contar uma história, mostrar sentimentos e nos transportar as realidades capturadas naquelas fotos. Sebastião é também um ser humano que mostra sua sensibilidade e inteligência. Confessa ter perdido a fé na humanidade e depois recuperado a fé no planeta ao fotografar outras espécies além da humana.

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Vou compartilhar duas respostas dele a perguntas da platéia (que por sinal o aplaudiu de pé em vários momentos após a apresentação do filme):

Colorido ou Preto e Branco?

“Preto e Branco, por permitir focar no movimento da foto, gosto da abstração das fotos em preto e branco”

Sente-se culpado por mostrar momentos tão degradantes da raça humana?

“Não, eu mostro algo que é o meu lado da história também, pois sendo brasileiro, venho de um lugar onde vi muito sofrimento e tenho essa identificação”

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Eu poderia escrever páginas sobre Sebastião Salgado, sempre fui grande fã do seu trabalho e depois de ver esse filme e ouvi-lo falar sobre a vida, a carreira e a família, fiquei ainda mais orgulhosa de ser brasileira. Amo a sua arte e a mensagem que ele compartilha com o mundo. Ele faz sim valer o ditado de que uma imagem vale mais do que mil palavras e estou aqui ansiosa para ver as milhões de “palavras” através das imagens do seu último livro Genesis (Editora Taschen) que não resisti e comprei ontem.

Obrigada Sebastião Salgado!